quantas cores o vento tem



as cores são tantas como a do arco-íris e os sorrisos são tantos quanto aqueles que são dados ao romper de um belo dia de Verão. agora que conheço bem os cantos ao mundo, posso dizer a bom som que todos aqueles sonhos de menina se viram realizados quando descobri que, afinal, consigo pintar o vento com as poucas cores que tenho dentro do estojo. o gato ri-se e diz que sim, eu franzo o sobrolho e continuo a achar que quando ele o faz há qualquer coisa que não bate certo.


verde esperança



não querendo vestir a personagem de verdadeiro escritor, mas a necessidade de o dizer grita sempre mais alto que a minha própria altura. a desilusão existe. desilusão do tomar consciência de que os dias podem, realmente, ser escuros. não escuros porque acordam sem vida, mas escuros porque assim os outros os fazem. escuros de dor e embrulhados na tristeza do que é viver-se debaixo de tectos onde somos indesejados. sempre fomos e não disseram, sempre fomos e não mostraram. 

e como nem todos os dias são de escritor, estão para vir os cheios de cor. aqueles em que o sorriso volta porque, afinal, sobra alguém que foi verdadeiro.


assim de espera.

à tua porta


chega a fase em que o sorriso se prende quando chega até este coração a certeza de que são tempos que passam tão depressa. como se o vento passasse e fizesse com que cada minuto parecesse um segundo cheio de pressa em partir. dói ter consciência de que todos os momentos que nos aquecem por dentro são todos aqueles que nos deixam a correr. como o vento, o sopro e as folhas que partem e não voltam. é como o triste soar dos passos das pessoas-sem-vida que há tanto tempo conheço. o meu gato está cansado e pouco mia nos últimos dias, mas eu fico sempre na esperança que de as nossas tardes voltem. em grande, e para sempre.


chego a temer na altura em que o coração está para parar. mas é nesse momento que entra o sorriso e me apazigua qualquer mágoa. porque é essa a grande responsabilidade da vida. o de fazermos sorrir quem não aparece por acaso. e o de fazermos ter a certeza de que nos foi roubado, a nós, um bocadinho que agora pertence a outro.


S, :)