quantos de nós


quantos de nós se sentem tristes porque não sabem ser qualquer outra coisa senão a que mostram todos os dias? e quantos de nós, mesmo que na sombra, não conseguem sorrir ao fim do dia porque sentem que fizeram, realmente, aquilo que lhes competia? cada um de nós pode dizer, fazer ou ser o que quiser.
escrever as palavras que quiser - e meter dentro da cabeça que está na mentalidade de todos os outros pensar sempre que tudo o que é escrito por cada um é vivido por esse mesmo ser. e daí? também são muitas as vezes que me pergunto. nunca foi por isso que desisti e nunca será isso que me fará parar de fazer aquilo que vai dando mais de mim. e é por isso que acho que tu (e quando menciono 'tu', menciono todos vocês que me perguntam se são ou não capazes de escrever sem ser sobre vós) o consegues fazer. sem medo. e sem pensar que serás julgado por tudo o que é escrito. porque serás. isso acontecerá até que deixes morrer em ti a vontade de mostrar que as palavras também têm vida.

está na hora de deixarem essa preocupação que vem de dentro porque, no final de cada dia, os sorrisos soarão mais largos porque foram muitos os corações aquecidos e as almas tocadas. em palavras.


por isso continua.
ou começa.
antes que o dia acabe , os corações parem porque já bateram demais,
e as almas  fujam porque não houve ninguém que as segurasse.
em palavras.

quantas cores o vento tem



as cores são tantas como a do arco-íris e os sorrisos são tantos quanto aqueles que são dados ao romper de um belo dia de Verão. agora que conheço bem os cantos ao mundo, posso dizer a bom som que todos aqueles sonhos de menina se viram realizados quando descobri que, afinal, consigo pintar o vento com as poucas cores que tenho dentro do estojo. o gato ri-se e diz que sim, eu franzo o sobrolho e continuo a achar que quando ele o faz há qualquer coisa que não bate certo.


verde esperança



não querendo vestir a personagem de verdadeiro escritor, mas a necessidade de o dizer grita sempre mais alto que a minha própria altura. a desilusão existe. desilusão do tomar consciência de que os dias podem, realmente, ser escuros. não escuros porque acordam sem vida, mas escuros porque assim os outros os fazem. escuros de dor e embrulhados na tristeza do que é viver-se debaixo de tectos onde somos indesejados. sempre fomos e não disseram, sempre fomos e não mostraram. 

e como nem todos os dias são de escritor, estão para vir os cheios de cor. aqueles em que o sorriso volta porque, afinal, sobra alguém que foi verdadeiro.


assim de espera.

à tua porta


chega a fase em que o sorriso se prende quando chega até este coração a certeza de que são tempos que passam tão depressa. como se o vento passasse e fizesse com que cada minuto parecesse um segundo cheio de pressa em partir. dói ter consciência de que todos os momentos que nos aquecem por dentro são todos aqueles que nos deixam a correr. como o vento, o sopro e as folhas que partem e não voltam. é como o triste soar dos passos das pessoas-sem-vida que há tanto tempo conheço. o meu gato está cansado e pouco mia nos últimos dias, mas eu fico sempre na esperança que de as nossas tardes voltem. em grande, e para sempre.


chego a temer na altura em que o coração está para parar. mas é nesse momento que entra o sorriso e me apazigua qualquer mágoa. porque é essa a grande responsabilidade da vida. o de fazermos sorrir quem não aparece por acaso. e o de fazermos ter a certeza de que nos foi roubado, a nós, um bocadinho que agora pertence a outro.


S, :)

modo pesquisa


acontece sempre que penso demasiado em deixar aquilo onde nasci. está quase. a contagem decrescente começa assim que o juízo decidir deixar de fazer juízos sobre todas as coisas. alegra-te alma, que estás quase no sítio que sonhas.



dor |ô|
(latim dolor, -oris
s. f.

1. Sensação mais ou menos aguda mas que incomoda. = MAL, PADECIMENTO, SOFRIMENTO ≠ BEM-ESTAR, PRAZER

2. Sensação emocional ou psicológica que causa sofrimento. = DESGOSTO, MÁGOA, PESAR

  
um dia, qualquer dia, todos nós a experimentamos. chega a doer pensar, falar, caminhar e sentir. tem dias em que é bom saber que, como somos capazes de sorrir, também somos capazes de sentir dor. faz crescer, amadurecer e não fraquejar com o mesmo. no futuro.